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O mesmo ocorreu com o gás de cozinha, a chama das bocas subiu com perigosa curiosidade. Poderia ouvir o fogo gemer. Ele escurecia as bordas das panelas com sua assinatura.
Quase formava o dedo com as mãos.
Conclui que o fim é lindo.
Assim como as luzes da casa e do fogão, o amor perto do desastre não se economiza. Não mais se contém. É desesperadamente transparente.
Um casal diante do fim terá a grande noite da sua vida por não prever uma próxima. Sairá de um esconderijo porque não se vê mais seguro. Mostrará do que é capaz. Queimará o que guardou, não fará mais nenhum jogo, esquecerá a sedução e o jogo dos amigos. Mais intensidade do que intenção.
É o escândalo de verdade. Tímidos se transformam em terroristas, calmos ficam enervados, pacientes se tornam como histéricos. Por um instante não há medo de fazer as propostas mais desvairadas, confessar palavras reprimidas, estender os olhos como um lenço limpo.
O fim é lindo. Do crepúsculo, de uma vela, de uma chuva. O fim é esperançoso, exigente. Pancadas de beleza. O som e o sol pulam como suicida ao avesso para dentro da vida.
[Carpinejar]
fantástico texto...
ResponderExcluirluis
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