(...)
não adiantava engolir saliva no provador se a vida cuspiria de novo na rua, quando viesse a primeira tosse.
Carentes, preferimos prender quem não amamos. Ficamos com uma companhia apesar de não amar, para evitar sermos cobrados pelos pés descalços ou porque estamos sozinhos. Esperando o par perfeito enquanto usamos o que encontramos. O que veio na frente. O que tinha no estoque.
Grande parte dos casais é ímpar. Vistosamente formando pares trocados, solteiros, improvisados.
Quando compramos o que não gostamos, concluímos que "dá pro gasto". É uma expressão triste, inconsolável. O equivalente a lamentar que não tinha o que procurávamos. Gastamos o que não é nosso. Gastamos as pernas para justificarmos que permanecemos em movimento, tentando, ocupados.
Os sapatos são nossas estradas. Não permitem desvios e atalhos, trocas e substituições.
O amor começa pelos pés. Obsessivo.
Não levei nada daquela loja.
CARPINEJAR; F.
Staycation: MGallery Santa Teresa
Há um ano
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