segunda-feira, 18 de maio de 2009

Paineira

(...)
Uma amiga esperou três anos para que um amor se resolvesse por ela. Viveram juntos, se separaram. Faltava cumplicidade, não ser esquecida pelo seu olfato. Faltava que ele dissesse que não conseguiria ficar sem ela, que ao menos sentia saudades. Ela praguejou escondida, suportou as olheiras, encabulou meses de convívio , tentou ser forte, mudou de planos, pensou que enlouqueceria caso não se abrisse para alguém, não abriu e enlouqueceu, arrebentou-se em segredo para sofrer sem que ele visse que sofria.
Na ultima semana ela se reecontrou novamente com o ex. No ônibus, entre passageiros que nada tinham com isso, ele finalmente declarou sua paixão e expressou todas as palavras que ela queria ouvir. Todas. Até aquelas que não ouviria. Pois era vaidade demais imaginá-las. Perguntou inclusive se ela continuava usando o mesmo perfume. Ela riu: "Sim, eu não mudei o meu perfume." Talvez tenha mudado de corpo, de perfume não. Ele riu, acreditou que ainda era tempo, que ela o aceitaria de volta.
Ela afastou os braços dele dos seus ombros. Com ternura. Uma ternura de quem soube avançar pelos espinhos e enxerga a vida da copa das árvores, com mais altura do que o vento. Com mais discernimento.
Um amor atrasado não é amor.
Um amor atrasado é amizade depois de um amor que não aconteceu.


Do brother Carpinejar...
e a tal amiga sou eu!

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