Superar a dor do amor é o equivalente a estudar para o vestibular.
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Somos um par de olheiras e uma boca confusa. As reticencias do período tanto podem ser suspiros como gemidos.
Estudar para seguir a própria vida.
Na dor do amor, o desejo é chegar ao fundo de si, mas o fundo de si está na pessoa que deixou de nos amar. E nunca se chega ao fim. O fim não está mais com agente. Foi junto com quem traiu a fidelidade em que acreditávamos.
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É um luto sem enterro. Um luto em que o sofredor poderá encontrar com seu sofrimento em carne e osso na próxima esquina.
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Quem tinha humor, fica cínico. Chora-se no princípio, com força, depois o choro é um habito, perde a concentração e vira um resmungo intermitente.
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As pessoas que sofreram com esse descompasso são reconhecíveis de longe. Não se alegrarão de todo. Uma saudade vai retirar a velocidade dos ouvidos. Não se abrirão de novo como uma vitória régia. Tem a sutileza que os diferenciam dos demais, o tolhimento do abandono. E poderão, no futuro, amar melhor porque não estão mais sozinhas. Estarão sempre conversando e consultando sua dor.
CARPINEJAR; F.
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Há um ano
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