A ciência, essa safadinha, só pensa em sexo. Todo dia surge uma pesquisa com uma novidade bombástica sobre meninos e meninas. A última delas é a descoberta , nos Estados Unidos, da substância química "responsável pelo orgasmo feminino". Parece que, à revelia de nós, homens, existe uma substância que faz a mulher sentir todas aquelas vibrações impublicáveis e gritar, gemer e subir pelas paredes.Quer dizer: se você pensa que, ao ir para a cama com uma mulher, são as suas carícias e habilidades que provocam tudo aquilo na bem-amada, engana-se. Na verdade, trata-se de um reles componente químico que os cientistas conseguiram isolar e enfiar num vidrinho, ao qual pregaram o frio rótulo "Orgasmo".
E não é sequer uma substância charmosa, como soem ser os fluidos corporais trocados entre o homem e a mulher durante o ato. Essa substância, não. Os próprios cientistas classificaram como o escatológico nome de "peptídeo intestinal vaso ativo". É uma espécie de neurotransmissor que faz misérias ao percorrer um vago nervo chamado, por coicidência, nervo vago - o qual vai do colo do útero da mulher até o cérebro, passando pelo abdômem, pelo tórax e por outros caminhos que o recato me impede de mencionar. Enfim, é isso que provoca na mulher todos aqueles fabulosos calores e arrepios. Você não passa de um coadjuvante do peptídeo.De repente, podemos nos perguntar por onde andou o peptídeo nesses milhares de anos que homens e mulheres tem-se exercitado na arte de receber e dar prazer uns aos outros - aliás com bastante sucesso. Sim, pois, se até hoje as mulheres não sabiam do peptídeo, como se viraram? A resposta é que com ou sem o peptídeo, as mulheres sempre se viraram muito bem. Resta ver agora se, sabendo que carregam dentro delas essa arma terrível que é o peptídeo, continuaram a ter orgasmos múltiplos ao simples toque de um homem - ou se ficaram paradas esperando que o peptídeo trabalhe, enquanto um homem se desdobra tentando fazer a sua parte.
Pensando bem a descoberta do peptídeo pode ter um lado positivo para o homem. Até agora, nas relações sexuais acadêmicas(sem o peptídeo), o homem sempre levava desvantagem: era o único que não podia fracassar e, pior, nem mesmo esconder o próprio fracasso. A mulher era a primeira a perceber quando o sujeito não se apresentava devidamente evernizado. Já quando ela própria não correspondia às expectativas masculinas, o homem não podia dizer nada. Mas agora pode: se perceber que a mulher está com uma excitação deficiente ou coisa assim, ele estará autorizado a dizer ou, pelo menos, pensar: "É o peptídeo, meu bem. Você está com carência de peptídeo. O seu peptídeo brochou".
É claro que o homem nunca fará isso. Ele será tão magnâmico com a mulher quanto os milhões de mulheres tem sido compreensivas com os homens em situações semelhantes. Diante da frigidez feminina, o homem dirá carinhosamente: "Relaxe querida, fume um cigarro. Vamos falar de outra coisa. O peptídeo é um boboca, não sabe o que está perdendo. Ao mesmo tempo as mulheres poderão se justificar cientificamente: "Não entendo! Isso nunca me aconteceu antes! Só pode ser o peptídeo!". E o homem a cobrirá de carinhos e beijos, sabendo que a culpa é dessa coisa desagradável que tem nome de purgante ou de lagarto em perigo de extinção.
Os cientistas não de contentaram em descobrir o peptídeo. Afirmam que, a partir daí, será possivel produzir uma pílula que irá direto ao cujo, fazendo-o dar cambalhotas e, com isso, provocando o orgasmo feminino. Não por coicidência, uma das cientistas é mulher. Não conheço a biografia dessa senhora, mas há algo de suspeito numa cientista interessada em inventar uma pílula que dispensa o homem. Resta ver se ela conseguirá produzi-la.
Mas, se conseguir, é fácil prever uma cena do futuro próximo. Entre os lençóis o sujeito arrasta a asa para a mulher, todo cheio de ótimas intenções. Mas mulher se vira para o canto e manda o sujeito dormir, dizendo:
"Hoje não, meu bem. Já tomei a pílula do peptídeo."
CASTRO; R. - Amestrando orgasmos.
Staycation: MGallery Santa Teresa
Há um ano
peptídeo intestinal vaso [in]ativo.
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkk
é o meu caso.