terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ontem MUDEI.




Sabe a sensação de mudar um pouco de você? Um pouco daquilo que cisma em não mudar?Mudei.

E mudei os móveis da casa também.

Mudei a maneira que sempre te levo na porta e a maneira que te peço apaixonada pra voltar.

Mudei por mim e daí vem a plenitude de ser MUDADA.

Sentiu a diferença, né?

Percebeu que meu carinho e minha dedicação são escolhas que eu faço e não minha maneira sufocante de te querer.


Caroline Figueiredo

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

da clarisse pra mim, segundo nay:

No fundo sou sozinha. Há verdades que nem a Deus eu contei. E nem a mim mesma. Sou um segredo fechado a sete chaves. Por favor me poupe. Estou tão só. Eu e meus rituais. O telefone não toca. Dói. Mas é Deus que me poupa.

[e tenho dito.]

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Harriet

"sabe que o meu gostar por você chegou a ser amorpois se eu me comovia vendo você pois se eu acordavano meio da noite só pra ver você dormindo meu deuscomo você me doía vezenquando eu vou ficar esperandovocê numa tarde cinzenta de inverno bem no meio dumapraça então os meus braços não vão ser suficientes paraabraçar você e minha voz vai querer dizer tanta coisaque eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando vocêsem dizer nada só olhando olhando e pensando meu deusah meu deus como você me dói vezenquando"
Caio Fernando Abreu

CDA



Um dia desses

eu separo um tempinho

e ponho em dia todos os choros

que eu não tenho tido tempo de chorar.

ANDRADE; C. D. de

mas ainda te amo.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Toda despedida é falsa


Alguém pedirá para sair. Estamos os dois adoecidos, nenhum tem condições para ajudar o outro. Seu jeito de ser cuidada é diferente do meu jeito de ser cuidado. Vou remando as bordas da camisa. Minha lentidão é despedida. Quando todo gesto se torna relevante por ser irrelevante. Não desloco os cotovelos porque os músculos argumentam que não vale a pena. Demoro nos movimentos singelos como levantar a xícara de café. Ele já esfriou e não sofro com isso. Não sofro com coisa alguma. O maior sofrimento é não sofrer. É quando não há nem mais ânimo para sofrer. E conhecemos a apatia da dor, um cansaço inacreditável e resta a canção sem a letra, resta a vontade do poema e sua desistência. O pensamento vem e apago. Não me interessa apanhá-lo. Passo a ser meu único leitor. Não tenho esperança de que ficará emocionada, que me avisará que foi um susto desnecessário e me acalmará para dormir em seguida.
(...)
Sou a completa anulação de sentido para me movimentar. Espero que pule da dor para me abraçar. Que tome uma atitude, que não me magoe. Mas sei que o entusiasmo é frágil. Podemos supor que estamos recuperados e logo afundaremos novamente no delírio. A cabeça nos engana e as pernas não mandam os últimos boletins.
(...)
Acovardo-me de gentilezas. Falta a esperança de que serão compreendidas. Ou que me procure com meus apelidos pelo caminho salteado do jardim.
Chegamos ao caroço, onde os temperamentos se definem, onde não há mais a concessão dos primeiros meses. A carência é um caroço. Por isso é duro atravessar. Não é mais aquela facilidade da polpa, de atravessar com o embalo do suco. É agora que seremos pedras num canto ou seremos raízes. Arrebento-me de arroubos, arrebatamentos. Mas a realidade é longe de minha casa. Não há amigo que me transmita o que tenciono escutar, que arranque o pessimismo poroso das folhas. Anseio por algum médico que nos avise que temos poucos meses de vida; é o suficiente para reunir as forças.
(...)
Você é intensa, mas sua intensidade não costura para fora. Eu sou intenso, mas minha intensidade costura para fora antes mesmo de comprar os tecidos. Sei que não entendo nem metade do que já sentiu por mim. Por absoluta ausência de comunicação. Sei que não entende nem metade do que sinto por você. Por absoluta ausência de paciência. Eu preciso ouvir, você não precisa falar, nos amamos desinformados.

Fabro.

domingo, 20 de setembro de 2009

Liquidação

Comprar uma roupa nova é o exercício mais prazeroso de toda mulher. Quanto mais se compra mais o guarda-roupa fica entupido e você se pergunta o que fazer com aquelas outras tantas roupas que você jamais usaria novamente. E se pergunta, também, como pode uma pessoa ter gastado grana com um pedaço de pano ridículo.
Mas tem aquela peça chave, no canto do armário, que você jamais doaria nem para o papa se ele estivesse passando frio no Alaska. E olha que nem plumas e pelos essa peça tem.
É apenas uma blusa de malha cinza super-confortável que você usa tanto no verão quanto no inverno! É essa a peça que sua mãe te obriga a doar sempre que você reune umas coisinhas pra ela levar pra doação, e que suas amigas abominam.
Mas você simplesmente a ama e não sabe por qual motivo. E nem quer saber mesmo. Já que ela virou sua segunda-pele.
É esse o momento no qual me encontro.
Doar ou não doar minha segunda pele? Entregar assim de mão beijada quem eu tanto amo? Apenas porque exite outra pessoa interessada em vestir meu corpo?
Não.
Me falta interesse na arte da substituição. Não sou do tipo de implorar por amor, até porque isso é tipico de ser submisso. E isso pra mim é falta de amor próprio. Mas também não é porque não me sinto correspondida que vou deixar de amar.
Você já deixou de amar um objeto pelo fato dele não ter sentimentos por você?
Digo objeto! Objeto mesmo. Tipo um sapato. Um Louboutin.
Agora pense naquele cara que vc teve um relacionamento de anos incontaveis e de fodas homericas. Uma gota de alguma coisa ele tem por você.
E sinto-me resignada por tempo indeterminado.
Até que um dia, todas as teorias de 'this is not sentence' são comprovadas sem que eu mesma corresse atrás. Caem assim, como par de luvas que você passa a amar também.
E acaba deixando aquela peça de plumas e paetes, que tanto te queria, entrar em liquidação, até que alguém arremate na feira de fim de estação.

E fico com a blusinha cinza.
No fundo do armário, com uma manguinha do lado de fora, aparecendo
sempre.